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O erro da Acadêmicos de Niterói foi não homenagear Bolsonaro

O enredo ao presidente Lula causou muita polêmica no carnaval carioca de 2026 e a Escola Unidos de Niteroi acabou rebaixada
O enredo ao presidente Lula causou muita polêmica no carnaval carioca de 2026 e a Escola Unidos de Niteroi acabou rebaixada

É atribuída a Clarisse Lispector a frase: “O obvio é a verdade mais difícil de se enxergar”. Partindo do princípio da escritora, o carnavalesco Tiago Martins e o enredista Igor Ricardo que escolheram o tema da Acadêmicos de Niterói, cometeram um grande equívoco e pisaram literalmente na bola. Se o óbvio já é difícil para as pessoas ditas normais, imagine para pessoas sem qualquer discernimento cognitivo.

Como fazer pessoas que acreditam que a terra é plana, que quem toma vacina vira jacaré admitirem que um retirante, um operário que veio da pobreza extrema se transformou em presidente? 

Retratar a trajetória de Lula  é uma das coisas mais óbvias que possa existir. Porém, contudo, entretanto, todavia a cegueira do ódio de classe e da indiferença não permite a essas pessoas enxergarem a realidade. Todo mundo “tá” careca de saber que Lula nasceu nos cafundós do nordeste, que veio trazido pela mãe na boleia de um caminhão, “por ironia, numa trajetória de 13 noites e 13 dias”, e muitos anos depois criou o PT.

Qualquer criança sabe que foi perseguido pelos militares, pelo Marreco de Curitiba, que ficou preso, e apesar de todas as adversidades enfrentada ao longo da vida se tornou três vezes em presidente.

É óbvio que uma parte de elite e da classe média assalariada que pensa que é rica, se irrita ao ver “filho de pobre virando doutor” e que tem “comida na mesa do trabalhador”. Só não vê quem não quer que foi sob presidência de Lula que o Brasil saiu do mapa da fome e os afro-brasileiros puderam sentar no banco de uma universidade. O enredo era obvio e retratava fatos cotidiano.

Diria o saudoso Darci Ribeiro” O Brasil tem a elite mais opulenta, asquerosa e nojenta do mundo”. E por isso, exatamente por isso, mais uma vez tanto ódio no ar e tantas ações para barrar o desfile da escola. Essa mesma elite perseguiu Brizola, matou Marielien, Chico Mendes, Bruno Pereira, Don Felipe, irmã Doroty e, mais recentemente silenciaram com censura padre Julio Lancelotti. Diria o poeta: “A vida realmente é diferente, quer dizer: a vida é muito pior”

Carnaval é criatividade, delírio, um verdadeiro teatro do absurdo a céu aberto. Nesse sentido, seria muito mais produtivo, informativo um enredo sobre o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Falar de Bolsonaro seria outra história, seria retratar absurdos fantásticos – fanáticos. Seria um enredo apimentado, instigante, com cada ala representando pedacinhos de nossa história recente numa verdadeira incógnita para quem estivesse na Sapucaí ou ligado na televisão.

Falar do Messias Bolsonaro, seria falar Deus, Pátria e família. Seria falar de um homem resiliente que tentou explodir bombas reivindicando melhores salários, da familicia com suas rachadinhas e lojas de chocolates, das jóias surrupiadas, de Michele e sua família nada recomendável. Como deixar de fora do enredo seus apoiadores, colaboradores e cúmplices, dentre eles Damares, Magno Malte, Sergio Moro, Dallyol, Hélio Negão e a pistoleira Carla Zambelli.

A história de Bozo definitivamente não caberia em apenas um enredo. A vida e um enredo são delírios e delirei nesse enredo...

A Comissão de frente poderia ser integrada por 12 artistas vestidos de verde oliva sob o olhar vigilante de um grande busto brilhante de Brilhante Ustra que viria no carro abre. Os soldados da comissão de frente, teriam metralhadoras na mão perseguindo subversivos, comunistas, gays e quem mais tivesse pensamento contrário.

Fariam performances, subindo no carro abre alas e quando subissem, se transformariam em mulheres presas e que foram torturadas na ditadura com Ustra sorridente com todo seu poder colocando sobre seus corpos cobras, ratos e dando choque elétrico. Os homens estariam no pau-de-arara ou levando choque elétrico.

Quatro atores representariam os irmãos bolsonaro no carro "a incrivel fábrica de chololate", pois eles preferiram desfilar no anonimato no meio da escola e fazendo muito barulho na Avenida


O segundo do carro denominado “Sagrada Família” seria uma grande fábrica de chocolates e teria como destaques, os filhos Eduardo, Flavio, Carlos e Renan. Obviamente que os seguidores e apoiadores não poderiam faltar, por isso, na parte mais baixa do carro e como atrações, os generais Augusto Heleno e Braga Neto. À frente do carro e, sambando no asfalto, viria vestida de virgem, com um grande chocolate de batom na mão, Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “moça do batom”. Na mesma ala, padre Calmon, com uma bíblia de chocolate e os kids pretos todos com armas de chocolate nas mãos.

No terceiro carro, um enorme busto, do ex-presidente João Batista de Figueiredo, – outra figura que Bolsonaro admira – com a faixa: “prendo e arrebento”, frase utilizada para quem não cumprisse suas determinações.  Como destaque, Paulo Figueiredo, neto de Figueiredo, netinho da ditadura e defensor de ditadores, hoje refugiado nos EUA com a faixa “prefiro o cheiro de cavalo ao cheiro de povo”, outra frase também usada por seu avô.

A bateria todos vestidos de Messias, seria comandada por “Mestre Emival”, conhecido popularmente por Leonardo, da dupla Leandro e Leonardo. A rainha da bateria seria a senadora Damares. Seria algo totalmente novo, criativo e surpreendente, pois ao longo do desfile, em um tripé iluminado, traria a frase “Com Jesus na Goiabeira”. Damares, ao longo de todo o desfile, treparia na goiabeira e acalentaria Jesus Cristo. O grande destaque da bateria seria a paradinha para toda a escola e as arquibancadas entoarem em ritmo de funk: “O Trump solta meu pai, solta meu pai.”

Após a bateria, viria a ala “africanidades” com o dublê de pastor e deputado Marcos Feliciano dizendo que o continente africano é amaldiçoado, Edir Macedo distribuiria seu livro “Orixás, caboclos e guias: Deuses ou demônios?” Uma obra que detona as religiões de matriz africana e faz menções muito negativas à Virgem Maria. Silas Malafaia viria de profeta do apocalipse, rasgando a constituição, xingando o STF e querendo que a bíblia regulasse as leis e Carla Zambelli só de biquini com a faixa “Itália te amo”.


A senadora Damares com Jesus Cristo na goiabeira, Helio Negão e Holyday (representados por dois atores) e Roberto Jefferson que mesmo depois do desfile permaneceria protegendo o ex-presidente, são figuras certas no desfile


Um dos momentos mais esperados seria a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeiras que teria o ex-presidente da Fundação Palmares Sergio Camargo, que revogou o título de celebridades negras a Milton Nascimento, Ivone Lara, Gilberto Gil e Alcione, dentre outros, e a inconfundível Jojo Todynho. Eles viriam numa criativa fantasia de capitães do mato. À frente do casal, uma grande balança que traria Hélio Negão e Fernando Hollyday sendo pesados por arrobas.

Dois atores representariam Sergio Camargo e Jojo Todinho
Dois atores representariam Sergio Camargo e Jojo Todinho

Finalmente, e fechando o desfile do absurdo, viria imponente, sorridente, o próprio Jair, com uma longa bata branca, vestido como um Messias, uma aura verde oliva, uma tornozeleira e uma metralhadora nas mãos, fazendo arminhas. Sua passagem causaria espanto e perplexidade, pois seria um Messias fazendo arminhas com as mãos e usando uma tornozeleira rompida. Tudo muito natural, pois o desfile repete a vida. A seu lado, Michele, vestida com uma longa túnica purpurina (cor da ambição).

Na parte baixa do carro, três pedestais. No tripé do centro, Roberto Jefferson vestido de agente do Doi Codi, com bombas, granadas e metralhadoras para não deixar sob nenhuma hipótese a Polícia Federal se aproximar do Messias. No lado esquerdo, viria absolutamente lúcido o senador Magno Malte, fantasiado de Deus Baco, criticando o consumo de álcool e a Lei Rouanet. No terceiro pedestal, Elson Queiros com um grande computador estaria resolvendo todos os problemas do desfile e das questões financeiras da família.

No final do desfile, nem vais nem aplausos, apenas silêncio. Todos boquiabertos com um desfile tão realista, tão fantasticamente absurdo, e convictos de uma coisa: com ou sem capacidade cognitiva, a arte repete a vida.


Atras do carro de Bolsonaro, uma grande faixa traria uma reflexão do filosofo Gilles Deleuze atribuída pelos bolsonaristas a Olavo de Carvalho. Deleuze em suas análises sobre “afetos e biopolítica afirmou o seguinte:

“Corpos tristes são mais fáceis de controlar. Festejar é um ato politico”

Um desfile em homenagem a capitão Eduardo da Nobrega.

Capitão Adriano vive!!!

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