Santa Teresa em tempos de folia
- Virgilio Virgílio de Souza
- 30 de jan.
- 3 min de leitura
Santa Teresa, um dos bairros mais emblemáticos e acolhedores da cidade com suas ruas e vielas apertadas, seu casario centenário, e a tranquilidade que lhe é peculiar, vive uma situação surreal neste período que antecede o carnaval de 2026:
Por um lado, os blocos oficiais buscam apoio do poder público para a organização de uma festa organizada, ordeira e civilizada.
Enquanto representantes dos blocos buscam organizar o carnaval, moradores reclamam das bandas clandestinos que infernizam o bairro
Por outro lado, os moradores se mostram indignados com as denominadas “bandas clandestinas” que se organizam por meio das redes sociais, arrastando dezenas de foliões – existem pelo menos duas páginas exclusivas para essa finalidade. Pessoas que, segundo os moradores, não têm qualquer compromisso com a realidade local, em sua maioria compostas por turistas e moradores de outros bairros, que fazem muito barulho e acabam interferindo na tranquilidade e no sossego dos moradores, perturbando o descanso das pessoas e impedindo, dentre outras coisas, a circulação dos bondes, ônibus e carros.
Por um carnaval organizado
Em reunião realizada entre os blocos na tarde desta quarta-feira (28) no espaço cultural Laurinda Santos Lobos, dirigentes e representantes dos diversos blocos do bairro realizaram uma reunião – iniciativa da AMAST – Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa, algo que acontece há 18 anos -, para elaborar uma pauta em comum que colabore com o poder público para a organização do carnaval. O lado negativo do encontro foi a ausência de representantes da prefeitura – Riotur, CET Rio, Guarda Municipal e Comlurb –, verdadeiramente os responsáveis pela organização do evento. Os únicos representantes do poder público presentes foram o tenente Mattos, representando a Polícia Militar, e Kiko, que é morador e trabalha na Riotur e sempre se dispõe a colaborar com a organização do carnaval no bairro.
Os representantes dos blocos fizeram várias sugestões e críticas, e uma ata do encontro será protocolada e enviada aos órgãos da prefeitura. A invasão de ambulantes que chegam a montar acampamentos no bairro no período do carnaval, impedindo que os blocos desfilem, é uma queixa permanente. Eles invadem, inclusive o local no qual os blocos realizam suas concentrações, o que, segundo os representantes dos blocos, é um fato lamentável.
Outra preocupação que é permanente dos blocos é em relação à segurança e ao bem-estar dos moradores e foliões. Nesse sentido, são solicitadas ambulâncias para pronto atendimento, confeccionados mapas com o itinerário e o horário de desfile de cada bloco – início do desfile e dispersão, além de faixas orientando que se evite subir o bairro de carro no período de carnaval. Há ainda, por parte dos blocos, uma grande preocupação em relação ao trânsito tanto dos bondes quanto dos ônibus, e com a limpeza do bairro após os desfiles.
Participaram do encontro representantes dos blocosc
Indignação contra as bandas clandestinas
Moradores criaram uma campanha nas redes sociais contra contra as bandas clandestinas
Uma preocupação passou a tomar conta de Santa Teresa e se transformou numa queixa constante entre os moradores nesse período pré-carnaval. Há uma indignação geral contra as denominadas “bandas clandestinas” que se organizam por meio das redes sociais, que, além de importunar e não respeitar o direito de descanso dos moradores, desfilando nos mais diversos horários, não respeitam o trânsito e, com isso, causam interrupção dos bondes, ônibus e do trânsito de modo geral. Em razão dessa desordem os moradores criaram uma campanha nas redes sociais contra sd drnominadas "bandas clandestinas"
Esses grupos não são considerados blocos e sim bandas, pois na maioria das vezes, segundo os moradores, os instrumentos são de sopro com seus integrantes tendo um perfil de classe média alta e têm como principal opção Santa Teresa, pois se valem dos muitos turistas que ocupam o bairro, principalmente neste período do ano, e chegam ao Brasil ávidos por uma festa e acreditando que o Rio de Janeiro é um verdadeiro “vale tudo”.
Na última sexta-feira, dia 23, apesar da forte chuva que desabou sobre a cidade, um grupo de moradores se reuniu de frente ao Cine Santa, no Largo do Guimarães, para protestar contra as bandas clandestinas. Outras duas manifestações estão marcadas para antes do carnaval.


















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