O dilema de Castro e Bacellar: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come
- Virgilio Virgílio de Souza
- há 1 dia
- 4 min de leitura
O raciocínio de Castro e seus aliados é simples: se renúncia, não tem mandato, e se não tem mandato, seu julgamento perde o sentido. Um grande equívoco, pois, independentemente de renunciar ou ser cassado, perderá os direitos políticos por 8 anos. Se for cassado, perde os direitos automaticamente. Mas, para além disso, a legislação em vigor prevê que quem renunciar ao mandato após o oferecimento de representação ou petição que autorize a abertura de processo por infração constitucional ou legal também ficará inelegível pelos oito anos seguintes.

Qualquer decisão em relação ao governador vai embaralhar a política do Estado do Rio de Janeiro. Se renunciar, criará vacância (cargo vago), o que levará sua sucessão a uma eleição indireta, apenas com os deputados escolhendo o sucessor. Caso seja cassado, a eleição obrigatoriamente é direta, com a sociedade escolhendo um novo governador num prazo máximo de 30 dias. Nos dois casos, esse sucessor ficaria no poder até o próximo dia 4 de outubro, quando estão marcadas eleições diretas para presidente, senadores e governadores.
Cláudio Castro se reuniu durante toda a semana com seus aliados de partido, advogados, juristas, e o quadro se tornou sombrio. Sua renúncia pode piorar a situação, pois pode cair no mesmo caso do ex-presidente Fernando Collor, que deixou para renunciar em cima da hora e sua atitude foi considerada uma manobra protelatória, ou seja: criar artifícios, argumentos e estratégias jurídicas ou processuais para atrasar intencionalmente o andamento de um processo com o objetivo de adiar uma sentença final.
Cláudio-bolsonarismo pessimista com o julgamento
O resultado do julgamento que se iniciou no dia 10 foi o pior possível para Cláudio Castro e os bolsonaristas. O resultado era 2 a 0 pela condenação, com os votos da relatora do processo, Maria Isabel Gallotti, e do ministro Antônio Carlos Ferreira. A sessão foi interrompida, pois o ministro Nunes Marques, que é bolsonarista e pediu vistas do processo. Percebendo a intenção de adiar indefinidamente a audiência, a ministra Carmem Lúcia, deu apenas 14 dias para que o julgamento fosse reiniciado, o que acontecerá nesse dia 24 com a solicitação de uma sessão extraordinária, que ocorreria no dia 25, caso seja necessário.
Mesmo que algum outro aliado de Castro volte a pedir vista, Carmem Lúcia, que deixa a presidência no próximo mês de julho, prometeu terminar a análise desse processo e chegar a um veredicto final, antes de se afastar e, com isso, pode marcar uma sessão para a primeira semana de abril. O governador, ao lado de Rodrigo Bacellar que também se beneficiou do esquema, é acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, quando realizou sem qualquer transparência a contratação de 27 mil funcionários temporários, no CEPERJ – Centro Estadual de Estatística, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro e na UERJ – Universidade do Rio de Janeiro.
A denúncia inicial é a de que essas contratações foram feitas por indicações políticas e esses funcionários atuaram como cabos eleitorais. O processo chegou a ser julgado em maio de 2024, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro que, por 4 votos a 3, decidiu que não ficaram comprovados abusos de poder por parte dos acusados e que eles não obtiveram qualquer tipo de vantagens no pleito de 2022. O Ministério Público Eleitoral e a coligação “A Vida Vai Melhorar”, que apoiou Marcelo Freixo, entraram com recurso e, observando a possibilidade de o julgamento ser indefinido, a ministra Carmem Lucia resolveu agir.
Comentários também dão conta de que se houver um pedido de vista, os demais componentes do TSE devem antecipar seus votos. Nesse caso a situação do governador ficaria insustentável, pois todos os votos teriam sido proferidos. Além da ministra Carmem Lucia que deve votar pela condenação, também votariam contra o governador Floriano Azevedo, Estela Aranha. Possivelmente votariam de forma favorável os ministros Nunes Marques e André Mendonça. Se confirmada essa tendência, o placar seria de 5 a 2 pela condenação
Situação de Rodrigo Bacellar é ruim e pode piorar
Há um consenso nos corredores da ALERJ e nas conversas entre deputados e assessores: a situação do deputado e presidente da Casa Rodrigo Bacellar é ruim e deve piorar consideravelmente nos próximos meses. Além do julgamento que enfrenta ao lado de Cláudio Castro, ele foi preso em dezembro de 2025, por proximidade com o deputado TH Joias, que esta preso, acusado de fazer parte do braço político do Comando Vermelho. Todos apostam que Bacellar será cassado na próxima quarta-feira, o que fará com que fique inelegível por 8 anos e o pior: muitos apostam que, ao perder o foro privilegiado, todos os caminhos estarão abertos para sua prisão.
Ele é acusado de vazar informações sigilosas da Operação Zargunq ao deputado TH Joias. A prisão de Bacellar foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. Para complicar sua situação, sua agenda e seu telefone apreendidos pela Polícia Federal têm informações comprometedoras. A maior gravidade e complexidade da situação é o fato de ter sido decretada também a prisão do desembargador Macário Ramos Júdice Neto, que estaria envolvido com Bacellar e TH Joias.
Bacellar só se livrou da prisão em razão de uma sessão realizada em 08 de dezembro de 2025, quando os deputados, por 42 votos a 21, votaram por sua soltura. Foi determinado por Alexandre de Moraes que ele deveria permanecer afastado da presidência da Câmara e cumprir medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar, não se comunicar com outros investigados, suspensão de porte de armas e entrega dos passaportes.







Comentários