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Retirada de banca de jornal agita Santa Teresa

Prefeitura retira de forma truculenta banca de jornal, moradores protestam e Rodrigo Amorim que tenta pegar carona na confusão é enxotado e chamado de miliciano, canalha e mau caráter

Funcionários da Secretaria de Conservação deixaram totalmente destruída a banca de jornal que existia a 40 anos no Largo do Guimarães


Santa Teresa viveu um de final de semana agitado e de muita polêmica, tudo por conta de uma banca de jornal, instalada há 42 anos no Largo do Guimarães, que foi retirada no final da tarde da última sexta-feira (06), pela prefeitura. Segundo moradores que assistiram a ação da Secretaria de Conservação, a ação ocorreu de forma arbitrária e truculenta. Indignado com o ocorrido, um grupo de moradores realizou no sábado (07), um ato de solidariedade ao Sr. Souza proprietário da banca. Mais que isso, os moradores querem que a banca seja reinstalada em seu lugar de origem.

Todos apontam como responsável por toda confusão a Construtora Sérgio Castro Imóveis, que teria pressionado a prefeitura a retirar a banca, para, no futuro, colocar no local mesas e cadeiras para atender os interesses do Armazém São Joaquim. As acusações contra a construtora decorrem, em razão de a Sérgio Castro — uma das principais incentivadores do "Projeto Reviver o Centro" —, se utilizar da exploração imobiliária. Compra casarios antigos, os reforma, para depois disso, alugá-los ou vendê-los. O Armazém São Joaquim é um desses exemplos: foi reformado, ganhou requintes de modernidade e foi transformado em restaurante.

Segundo “Seu” Eduardo de Souza, morador da Ladeira do Castro e conhecido por todos como “Seu” Souza, tudo aconteceu de forma rápida e inesperada: “Eles chegaram e me deram 20 minutos para que retirasse tudo que fosse de meu interesse. Fiquei intrigado e desesperado, um grupo de moradores iniciou um protesto, os "homens da prefeitura", foram embora, mas voltaram 2 horas depois, retiraram tudo à força e chegaram a serrar uma parte da banca. Para se ter uma banca é preciso receber concessão da prefeitura e eu tenho essa concessão e estou totalmente legalizado. O prejuízo é muito grande e confesso que não sei o que fazer” — declarou..


"Seu" Souza no local onde ficava a banca, tendo ao fundo o Armazém São Joaquim, recebe apoio de um grupo de moradores que querem a banca de volta. Estão previstas novas manifestações


Morador da Avenida Almirante Alexandrino o arquiteto José Dimas não poupou críticas à Construtora Sérgio Castro: “Essa empreiteira com o apoio de órgãos municipais quer comprar e ocupar toda cidade. Quer retirar os moradores, transformar o lugar, trazer pessoas e fazer investimentos alheios ao bairro, para ganhar cada vez mais dinheiro. Não são os donos da cidade. O que eles estão fazendo ou querendo fazer é o denominado processo de gentrificação, mas Santa Teresa é um bairro de artistas, pessoas conscientes, politizadas que não permitirão que isso aconteça — afirmou. Uma moradora que preferiu não se identificar pela proximidade com “Seu” Souza disse que o que a prefeitura e a construtora fizeram foi uma verdadeira covardia, mas que o proprietário da banca também tem sua parcela de responsabilidade:


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— O Souza sabia que corria esse risco. A banca que sempre foi de grande utilidade para o bairro e ponto de encontro de moradores foi perdendo suas características. No período da pandemia ele vendeu ou sublocou o espaço que, já não vendia mais jornal, se limitando a vender cigarros e cervejas. Apesar disso nada justifica a retirada da banca, principalmente, da forma como aconteceu. Nossa luta tem que ser para que a banca seja recolocada com suas finalidades iniciais. Aquele ponto é estratégico e precisamos ter nossa banca de volta. O que não podemos permitir é que esse espaço que pertence aos moradores seja ocupado por mesas e cadeiras.

“Seu” Souza tem outra versão para o fato de ter repassado a administração da banca para outra pessoa: “Estou com problemas nos olhos e tinha que fazer uma cirurgia. Veio a pandemia e resolvi me tratar e, com isso, deixei a banca com a Jucélia (se referindo a Jucélia da Silva Freitas que passou a trabalhar na banca), uma amiga de muitos anos. Não existe essa história que vendi a banca” — Afirmou. O administrador Maurício de Freitas que passeava com seu cachorro, um São Bernardo, ouvia todos os comentários atentamente. Ele disse que leu uma matéria no Diário do Rio, dando conta da ilegalidade da banca e de sua retirada e também da manifestação marcada pelos moradores e resolveu ir ao Largo do Guimarães para acompanhar os fatos e saber exatamente o que estava acontecendo:

— Na verdade, queria entender toda essa história, mas as informações estão muito desencontradas. Uns falam que a banca funcionava irregularmente, outros que a construtora Sérgio Castro quer a retirada da banca para colocar as mesas e cadeiras do Armazém São Joaquim. Há também os que acreditam que construtora é aliada do prefeito Eduardo Paes e do secretário de Urbanismo Washington Fajardo que trabalham juntos no sentido de reformar casarões antigos e transformá-los em prédios moderninhos. Quando comentei com um dos organizadores do ato sobre a matéria que li no Diário do Rio, ele me afirmou que não se poderia levar muita fé na notícia, pois o jornal é de propriedade da construtora. Honestamente não sei no que acreditar. Penso, porém, que esse espaço é nosso e pertence ao bairro e aos moradores. Venho frequentemente aqui passear com o cachorro e, em outros momentos, com meus filhos e não podemos admitir que seja transformado em um espaço privado de interesse de um bar ou de uma construtora. Se a intenção do Armazém São Joaquim ou da Sérgio Castro é colocar mesas aqui, isso não podemos deixar acontecer. Temos que fazer muitas mobilizações — encerrou.


Rodrigo Amorim:

deputado é chamado de canalha,

miliciano e mais uma vez enxotado

Acompanhado de um assessor que gravava suas ações, Rodrigo Amorim comprou uma camisa do PT e depois rascou. No final, se vitimizando, disse que não queria confusão e que foi ofendido.


Em meio a toda polêmica em torno da retirada da banca quem não perdeu a oportunidade de aparecer e gravar um vídeo promocional para e postar nas redes sociais e agradar seus seguidores e eleitores foi o deputado estadual Rodrigo Amorim. Chegou quietinho, de mansinho um pouco antes da manifestação dizendo que a solicitação da retirada da banca foi uma iniciativa de seu irmão o vereador Rogério Amorim, mas apenas sua presença foi o suficiente para os repúdios à sua presença se iniciarem: “Vá embora seu miliciano canalha. Você não é daqui seu safado”, - gritavam duas senhoras.

Demonstrando irritação e se fazendo de vítima, o deputado comentou: “Não tive a intenção de provocar ninguém, vim apenas comemorar uma conquista de meu irmão e manifestantes resolveram me atacar. Mesmo que eles não queiram, a restauração da ordem continua.

Na verdade, o deputado queria confusão, provocação e polêmica sim. Antes de as senhoras se manifestarem, pediu pra um assessor comprar uma camisa do PT, numa banquinha do partido que se encontrava em frente ao Cine Santa, escondeu a camisa para depois, aos berros fazer seu “showzinho’ particular.

Não contava, entretanto que haveriam reações contrárias e mesmo antes que outros moradores reagirem, bastou duas senhoras enfrentá-lo e afrontá-lo aos gritos de miliciano, canalha e mau caráter, para entrar no carro e “meter o pé”.

Não é a primeira vez que Rodrigo Amorim é enxotado de Santa Teresa, em 16 de outubro de 2021 durante o lançamento do Programa Bairro Seguro lançado pela Secretaria sede Segurança, ele quis pegar carona projeto e dizer que era uma inciativa de sua autoria. A exemplo do que aconteceu na tarde deste sábado, deixou o bairro apressado. Naquela ocasião os gritos de miliciano, oportunista e canalha foram bem maiores. Acuado, indignado e sem argumentos, afirmou que Santa Teresa era um bairro de esquerdistas e maconheiros.


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