Numa sessão surreal, vereadores adiam votação do projeto que privatiza praças
- Virgilio Virgílio de Souza
- 25 de fev.
- 3 min de leitura

Uma sessão surreal. Assim pode ser definida a reunião plenária que marcou o início dos trabalhos legislativos para o ano de 2026, que ocorreu na tarde dessa terça-feira (24). Antes de ser votado o projeto que discutia a privatização das praças, os vereadores analisavam os vetos do prefeito Eduardo Paes ao PL 156-A/2025, que estabelece o Sistema de Estacionamento Rotativo Tarifado – Área Azul Digital, no município do Rio. O objetivo é ordenar o uso de vagas de estacionamento em vias e logradouros públicos mediante controle eletrônico e demais tecnologias que assegurem transparência, eficiência e rotatividade.
Discutir estacionamento em espaço público é discutir flanelinhas e, consequentemente, segurança. E sempre que se fala em segurança, o clima esquenta. Ao longo da sessão, muitas vaias para os vereadores da base aliada do prefeito Eduardo. Quando os vereadores bolsonaristas que defendem o governador Cláudio Castro e o ex-presidente Jair Bolsonaro tentavam pegar carona nas vaias destinadas a Paes, também eram vaiados.
Os mais vaiados foram os vereadores Rogério Amorim e Alana Passos – ambos do PL – e Pedro Duarte, do partido Novo, autor do projeto de privatização das praças. Em muitos momentos, foi lembrada a "Operação Contenção" da polícia realizada em 28 de outrubro de 2025, no Morro do Alemão que resultou em 120 mortos, o que era motivo de críticas ao governo bolsonarista Cláudio Castro. Num dos momentos mais tensos, Alana Passos chegou a afirmar: “O que vocês chamam de chacina, chamamos de faxina.” Sua fala fez a galeria explodir em vaias, gritos de irritação e, em seguida, se entoou o coro “sem anistia”.
E a votação da privatização não aconteceu...
Passada a votação dos vetos do prefeito, a esperança dos muitos presentes nas galerias era de que o Projeto de Emenda a Lei Orgânica Municipal 2022/2023 que permite a concessão de áreas verdes públicas para empresas privadas autorizando que áreas verdes de domínio público possam ser objeto de concessão ou cessão para setores da iniciativa privada por até 35 anos fosse votada. Nada feito; o projeto de Pedro Duarte seria ser analisado em primeira discussão, mas não foi o que aconteceu.
Para a frustração dos presentes, se valendo de uma manobra regimentar, um parlamentar pediu verificação de quórum e os vereadores, de maneira rápida abandonaram o plenário. Com isso, a vereadora Tania Bastos (Republicanos) que presidia a sessão encerrou os trabalhos. A votação do projeto provavelmente ocorrerá na próxima quinta-feira.
A discussão e aprovação da privatização das praças, já se transformou numa grande novela, pois desde junho de 2024, a análise do projeto foi adiada em 12 oportunidades. Os muitos presentes nas galerias acreditam que os vereadores da base aliada de Paes e todos os parlamentares que desejam vender espaços da cidade, querem vencer a sociedade pelo cansaço. O taxista João Fonseca, que mora na Glória não poupa critica aos vereadores: “esses caras são eleitos pelo povo e governam para empresas e para um prefeito deslocado na realidade que só pensa em ser governador e não tem nenhum compromisso com a cidade”. Mesma opinião tem a professora Edineia Alburquerque moradora em Botafogo:
- Eles querem votar esse projeto para agradar empresas que depois vão bancar suas campanhas nas próximas eleições. Muitos desses vereadores são mercenários e só pensam em governar em proveito próprio. A culpa é nossa, que elegemos pessoas tão desqualificadas e que não pensam na sociedade. Não é só em Brasília que temos um congresso inimigo do povo, aqui no Rio, temos também uma Câmara que é inimiga do povo.
O projeto já passou por seis comissões, dentre elas a Comissão de Assuntos Urbanos e a Comissão de Cultura. O parecer favorável da Comissão de Meio Ambiente veio após análise da relatora Tainá de Paula (PT-RJ), atual secretária de Meio Ambiente e Clima da Prefeitura do Rio. Tainá é outra muito criticada, por uma parcela dos manifestantes, pois se elegeu pelo PT, mas se transformou em uma ferrenha aliada de Eduardo Paes.








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