Polarização ou uma queda de braço contra a Constituição
- Virgilio Virgílio de Souza
- há 2 dias
- 5 min de leitura
Mães zelosas, Pais corujas/ Vejam como as águas de repente ficam sujas

A reflexão de Gilberto Gil é perfeita. As águas sujas não nos permitem ver o fundo do poço, do Rio, da fossa. Confundem nossa visão, nossa percepção. Turvar as águas para que não possamos ver a realidade tem sido a pratica do universo da política, de pseudo políticos. Esse turvar tem um nome: fato novo. É preciso um fato novo, para que de novo, não tenhamos do fato, a transparência, do real. Mentiras, hipocrisias, ganhou o luxuoso sinônimo de narrativas. E, de narrativa em narrativa, de mentira em mentira vão se criando fatos novos.
Parte da imprensa e parte desses políticos quer que acreditemos numa grande polarização. Isso não reflete a verdade, nisso não há verdades. O que existe é uma queda de braço constante de alguns setores contra a Constituição. Sim, e quando um ministro do STF, que tem a obrigação de zelar pela Constituição, segue o que determina nossa carta magna, é ameaçado, criticado, excomungado.
Se um ministro do STF vacilar, manipular, errar, beneficiar alguém, seja lá quem for, tem mesmo que ser punido. Se não podemos ter bandidos de estimação, também não podemos ter ministros de estimação. Entretanto, é preciso que o fato que o pesa sobre o ministro, seja real, provado e comprovado. Por que razão e qual intenção de se execrar os ministros do STF e a instituição como um todo?
O Bolsonarismo trouxe um mundo paralelo que se opoõe a vacina e pede o fim do STF, ora para pneus e reza sobre a bandeira nacional.
Se observarmos bem, tudo que tem acontecido no Brasil nos últimos anos, tem como pano de fundo pessoas conservadoras, raivosas, que se dizem homens de bem, e tem como lema “Deus, Pátria e Família” e que tem como representatividade máxima o Sr. Jair Messias Bolsonaro. Sim esse senhor e sua trupe mergulharam num mundo paralelo onde a terra é plana e se especializaram em criar fatos novos para obscurecer o fato real.
A verdade é uma só: Bolsonaro está preso não por desejo do ministro Alexandre de Moraes, mas sim, pelo que determina a Constituição. Nosso ex-presidente está preso por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Isso não é um desejo de Xandão, do Dino, Carmem Lúcia ou quem quer que seja, é o art. 359 do Código Penal que deve respeitar os princípios constitucionais. Xandão só fez cumprir.
Bolsonaro, que debochou das vítimas da COVID quando imitando alguém sufocado afirmou “me salvem, estou morrendo” e, quando perguntado sobre o número de mortes, foi deselegante: “quer que eu faça o quê? E emendou: “não sou coveiro”. Esse senhor, por tudo que fez, não é inocente e nem pode ser considerado uma pessoa decente.
Como ver seriedade ou sobriedade num condenado em prisão domiciliar que se vale de um ferro de soldar para tentar romper sua tornozeleira eletrônica? Como olhar com carinho e respeito para um ser desprezível que disse ter rolado um clima com crianças em um de seus passeios em Brasília? Como acreditar em um homem que, pensando em “meter o pé”, buscou abrigo na embaixada da Hungria em fevereiro de 2024?
Agora que a cana é dura e a cela é fria, o ex-presidente a cada semana tem um piripaque, ou um chilique - é crise de soluços, queda da cama, diarreia, falta de ar, zonzeira, fraqueza, crises de poom, sequelas da fackeada. Meu Deus, tem que levar esse homem a um “Pai de Santo”. A cada internação, um muro de lamentações:
O filho 01 diz: “Nunca vi meu pai tão mal, está muito abatido e deprimido. É muita tortura”, o filho 02, com os olhos lacrimejados, fala com voz embargada: “ele está sendo torturado. Chega a ser desumano o que estão fazendo com o ex-presidente, ele precisa ir para casa.
A esposa diz: “Meu marido está mal, tem que ir para casa”, e em outro momento comenta: “Ele diz que é uma grande tortura. Eu já o vi pedindo a Deus que o levasse por causa das dores.
Nada como um dia atrás do outro. Como pode reclamar de tortura alguém que defendia e se dizia admirador de Brilhante Ustra? É a velha história: tortura no do outro e colírio.
Bolsonaro entrou num lugar delicado: tenta comover, mas suas dores, sofrimentos e padecimentos já não conseguem convencer. Seus seguidores estavam acostumados a um homem forte, que andava de jet-ski, fazia motociatas e chegou a afirmar que, pelo porte físico de atleta que tinha, nunca seria atingido por uma gripezinha qualquer, como afirmou no auge da pandemia.
A perseguição ao STF e à Constituição vem de longe. A maior evidência do fato é o filho Eduardo Bolsonaro (que atende pela alcunha de Dudu Bananinha) ter afirmado em 2018, “que para invadir o STF bastava um cabo e dois soldados”. Se dizendo perseguido, Bananinha fugiu para os EUA, choramingoso e tentando mecanismos para penalizar membros do STF e autoridades brasileiras com a lei Magnitsky, pouco se importando se sua ação prejudicaria o Brasil. Não sem razão, virou motivo de chacota com a funk “o Trump solta meu pai, solta meu pai”.
Não há dúvidas de que esse traidor da pátria, a exemplo do pai, vai acabar na cadeia e não vai ser porque um ministro não gosta dele, mas sim pelo que determina a Constituição. Está lá nos artigos 359 I a 359 P que menciona Crime de Lesa-Pátria, para quem conspira contra a pátria e determina nos casos mais graves, uma punição que pode valer a uma pena de até 40 anos. Simples assim.
Agora, com o escândalo do Banco Master e o roubo em cima dos aposentados, mais uma vez toda a artilharia dos que desejam prisão domiciliar para Bolsonaro se volta contra Alexandre de Moraes. Mesmo sem provas, querem impithima-lo, pois acreditam que se Moraes cair, se for afastado, todo o processo de julgamento de Bolsonaro cairá. Não é bem assim, nobres senhores, pois tudo que Alexandre de Moraes fez foi baseado nos artigos da Constituição. Para mudar a decisão que não foi só de Moraes, mas de todo o colegiado da primeira turma, terá que se mudar a Constituição, algo improvável.
São tantos apelos, tanta choradeira, encheção de saco, de ouvir tantos destemperos, que Xandão vai acabar liberando Jair para uma prisão domiciliar, mas de nada isso vai adiantar. Bolsonaro é merdeiro, e vai fazer merda. Não deve tentar romper a tornozeleira outra vez, mas mesmo proibido, vai resolver participar de um comício, mesmo impedido, vai ter dois ou três celulares, não vai se conter e vai dar um rolê no shopping de Brasília ou fazer uma reunião secreta na calada da noite com Nicolas Ferreira. Vai sair, mas vai voltar para a papudinha rapidinho. Creiam, é uma questão de tempo, de caráter. Ele não consegue se conter e não sabe jogar nas quatro linhas da Constituição












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