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Flanar...


 

Em meio às baforadas ele tinha um plano,

ele sempre tinha planos, muitos planos.

Sempre escondia desejos

atrás daqueles lindos olhos verdes ou seriam azuis?

Sempre fui daltónico para olhos. Sei que eram lindos...

Putz...

Cheio de vida esbarrou com a dona da gadanha.

o que perturbou suas entranhas, se refez,

Sorriu com aquela cara meio-meiga, meio sacana e desafiou:

me dê as mãos, vamos caminhar, sair por aí,  flanar...

Estou mesmo de saco cheio

Ela se assustou, a princípio negou, depois relutou

 e, muito constrangida desabafou:

“Homem, eu só tenho um plano, um só objetivo

Eu nasci assim, eu nasci pra isso.

Você tem planos e objetivos demais”.

Ele sorrindo, olhou para a loja que sempre olhava

Pensou na dona da loja, por quem sempre zelava

Engoliu em seco, a tomou pelas mãos

olhou carinhosamente para aqueles olhos

que não conseguiu decifrar

se tristes, alegres ou frios e disse:

Venha um pouco comigo, pois assim,

nem que seja por um segundo, nem que seja por alguns instantes  

você sorrirá com a existência e deixará de ceifar vidas.

Quem sabe, até fará alguns planos,

quem sabe, até fará muitos planos…

Ela também sorriu e de dedos entrelaçados partiram

flanando vagabundamente...


Um grande amigo,

Um grande admirador do Jornal

Uma grande perda

 

Virgilio de Souza

31/07/2026

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