Flanar...
- Virgilio Virgílio de Souza
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Em meio às baforadas ele tinha um plano,
ele sempre tinha planos, muitos planos.
Sempre escondia desejos
atrás daqueles lindos olhos verdes ou seriam azuis?
Sempre fui daltónico para olhos. Sei que eram lindos...
Putz...
Cheio de vida esbarrou com a dona da gadanha.
o que perturbou suas entranhas, se refez,
Sorriu com aquela cara meio-meiga, meio sacana e desafiou:
me dê as mãos, vamos caminhar, sair por aí, flanar...
Estou mesmo de saco cheio
Ela se assustou, a princípio negou, depois relutou
e, muito constrangida desabafou:
“Homem, eu só tenho um plano, um só objetivo
Eu nasci assim, eu nasci pra isso.
Você tem planos e objetivos demais”.
Ele sorrindo, olhou para a loja que sempre olhava
Pensou na dona da loja, por quem sempre zelava
Engoliu em seco, a tomou pelas mãos
olhou carinhosamente para aqueles olhos
que não conseguiu decifrar
se tristes, alegres ou frios e disse:
Venha um pouco comigo, pois assim,
nem que seja por um segundo, nem que seja por alguns instantes
você sorrirá com a existência e deixará de ceifar vidas.
Quem sabe, até fará alguns planos,
quem sabe, até fará muitos planos…
Ela também sorriu e de dedos entrelaçados partiram
flanando vagabundamente...
Um grande amigo,
Um grande admirador do Jornal
Uma grande perda

Virgilio de Souza
31/07/2026







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