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A Fábrica e o Estado de Direito

Cidade se revolta contra poluição da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda. Direção da Empresa alega que trata-se da manifestação de um grupo de descontentes.

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A fuligem em nossos sentidos...

Sentimos a fuligem...

O pó preto no ar, a nos intoxicar nos isola.

Narinas respiram pó, ouvidos entupidos de pó

O gosto amargo na boca do maldito pó...

Os olhos, pobres olhos,

Impossibilitados de ver

o crepúsculo, a cidade, o alvorecer.

Na cidade, há uma leucopenia no ar

Há uma doença em nós...

A fábrica fabrica homens sós...

II

Não é direito...

E, com todo respeito,

com que direito,

a fábrica alegando “ Estado de Direito”

recorre à Justiça e tenta inibir a manifestação.

Recorre à justiça, se preciso vai chamar a polícia.

Como argumento, os delírios do medo:

“Uma pequena minoria de vândalos”.

Minoria, já identificada, fichada...

Aqui já não é uma “Área de Segurança Nacional”,

mas ainda restam

sombras banais,

Ainda pairam

sobras ditatoriais

Meu Deus...

A sociedade, quase que em sua totalidade

transformada em uma minoria de vândalos...

Não senhora Fábrica...

Vandalizar é outra coisa:

É poluir o ar, as plantas, o rio.

É ver suas chaminés sobrecarregando o ar

madrugada adentro

e, pelas manhãs, varandas, carros, monumentos, casas

tudo coberto por essa maldita fuligem

II

Senhora Fábrica

Seu lucro não pode representar minha saúde, minha sanidade

Seu lucro não pode representar o aniquilamento de uma cidade

E não nos ameace dizendo que: “sendo assim”, vai tirar emprego

Senhora Fábrica não haverá emprego se não houver vida

E vidas estão sendo ceifadas por seus exorbitantes lucros...

A Fábrica fabrica uma sociedade doente...

Que vai às ruas para manter a vida,

Para se manter viva.

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