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O fantasma de Eduardo Paes... O pesadelo de Claudio Castro...

         


O ex-governador Antony Garotinho, que teve o mandato cassado em 2016, após envolvimento em uma operação denominada “Chequinho”, que tinha a finalidade de desviar recursos no programa social Cheque Cidadão para a compra de votos na cidade de Campos está livre, leve e solto. O ministro Cristiano Zanin do  STF - Supremo Tribunal Federal -, anulou a sentença que o condenava e o colocou de volta no tabuleiro político do Estado. A decisão do foi tomada no julgamento de um habeas corpus e assinada na quinta-feira (27) de março. Zanin justificou sua decisão da seguinte maneira:

"A condenação se baseou em provas consideradas ilícitas, obtidas a partir da extração de dados de computadores da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Campos, sem a preservação da cadeia de custódia e sem perícia técnica. A investigação que resultou na condenação de Garotinho teve a mesma origem irregular já reconhecida anteriormente pelo STF em outros processos relacionados à operação".

Em liberdade e com os direitos políticos readquiridos, o ex-governador voltou com tudo nas redes sociais: lançou sua candidatura ao governo do Estado, pelo Partido Republicano, defende a prisão do governador Cláudio Castro e garante que pelo menos dez deputados do que denomina “Tropa do Bacellar”, referindo-se a Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj – Assembleia Legislativa do Rio - acabarão na cadeia muito antes do que se imagina.

As denúncias de Garotinho se iniciaram, na verdade, em 16 de dezembro de 2025, em Brasília, em depoimento à CPI do Crime Organizado, quando acusou Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar de comandarem grupos criminosos no Estado:

"Montaram duas organizações criminosas. Uma na Assembleia Legislativa e outra no governo" - comentou.

Informou e afirmou ainda que o esquema envolveria desvio sistemático de recursos públicos em contratos nas secretarias e mecanismos como incentivos fiscais e negócios regulados pelo governo. Questionado pelo relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), sobre a estrutura dessas organizações, sem cerimônias, acusou Rodrigo Bacellar como o chefe do grupo na Alerj e Cláudio Castro como líder no Executivo.

Foi além, disse que neste rol existiam deputados estaduais que integrariam a chamada “Tropa do Bacellar”, composta dentre outros nomes por TH Joias, (preso) que era o braço político do crime na ALERJ e cita ainda Poubel e Alan Lopes (ambos do PL) e Rodrigo Amorim (União Brasil). No governo estadual, cita um núcleo apelidado de “Turma do Charuto”, formado por secretários e aliados políticos.

Defensor do lema "bandido bom é bandido morto", o ex-governador Claudio Castro vibrou com a operação da policia que deixou 120 mortos no Morro do Alemão é bolsonarista de primeira ordem e próximo a Rodrigo Bacellar (preso) que tem ligações com TH Joias, (também preso) apontado como braço poltico do Comando Vermenlho.

Na ocasião, se mostrando destemido e demonstrando convicção do que falava, afirmou que dos 81 deputados da Casa, 47 receberiam mesadas, informação que, segundo ele, estaria registrada em três celulares apreendidos na casa de Rui Bulhões, chefe de gabinete de Bacellar, que foi um dos alvos de busca e apreensão na segunda etapa da Operação Unha e Carne.

Detalhou ainda o que chamou de “captura do dinheiro”, afirmando que a arrecadação ilegal não ocorreria prioritariamente por meio de emendas parlamentares, mas por fraudes em contratos públicos. Citou incentivos fiscais e autorizações administrativas que, segundo ele, só seriam concedidos mediante pagamento de propina e que o esquema envolveria secretarias e grandes negócios, especialmente nas áreas de energia, combustíveis e incentivos fiscais. Não bastasse isso, escancarou as ligações entre agentes públicos e o Comando Vermelho e afirmou que os presídios se transformaram em “escritórios do Comando Vermelho”.

"Esses fatos me levaram a uma convicção: havia um acordo claro entre as autoridades estaduais e o Comando Vermelho. Aí eu quis traduzir isso em número. E, pasmem os senhores, o Comando Vermelho, além de recuperar todas as áreas que ele havia perdido, conquistou áreas que eram da milícia. Jacarepaguá, por exemplo, era uma área totalmente dominada pela milícia. Hoje, você tem metade milícia, metade Comando Vermelho, em combates sangrentos".
O deputado Rodrigo Amorim (camisa preta) que quebrou a placa de Mariellien ao lado de Daniel Silveira (preso por ameaçar o Estado Democrático de Direito) é um dos citados por Garotinho de pertencer à "Tropa do Bacellar)
O deputado Rodrigo Amorim (camisa preta) que quebrou a placa de Mariellien ao lado de Daniel Silveira (preso por ameaçar o Estado Democrático de Direito) é um dos citados por Garotinho de pertencer à "Tropa do Bacellar)

Um fantasma assusta favoritismo de Paes

          Se até aqui o prefeito do Rio, Eduardo Paes, nadava de braçada e era apontado como favorável às eleições do próximo mês de outubro, com pesquisas indicando que tinha até 49% de preferência do eleitorado, com a chegada de Garotinho tudo muda. A maior evidência do fato foi a conversa de dois vereadores da base aliada do ex-prefeito Eduardo Paes:

O primeiro diz: “Garotinho será uma pedra no sapato”.

O segundo responde: “Ele é muito bom de comunicação, manteve uma estrutura tanto na capital quanto no interior e teremos que estar atentos”.

          A expectativa é pelas próximas pesquisas. Na única pesquisa que teve seu nome incluído, em novembro de 2025, mesmo ainda condenado e com os direitos políticos cassados Garotinho somou 16% de intenções de votos. O temor maior é que se repita no Rio o que vem acontecendo em São Paulo, onde Tarcísio vinha como franco favorito, com 49% mas bastou Fernando Haddad lançar sua candidatura e atingir 42%, para Tarcísio, o bolsonarismo e o PL perceberem que a vitória não será tão fácil assim.

Se em São Paulo Haddad vence na capital e perde no interior, no Rio, embora não seja unanimidade, Eduardo Paes leva vantagem no município do Rio de Janeiro e o interior é uma incógnita. Garotinho é muito querido no interior, onde tem bases sólidas tanto no Norte fluminense quanto no Sul fluminense. Além disso, tem uma base eleitoral fiel na Zona Oeste, que tem decidido as eleições no municipio do Rio, e onde realizou muitos trabalhos e tem preferência de boa parte do eleitorado.

De qualquer forma, a exemplo do que aconteceu em São Paulo, onde muitos já apostam numa arrancada de Haddad e numa polarização total no segundo turno, o simples nome de Garotinho já embola o tabuleiro eleitoral do Rio de Janeiro. Resta agora aguardar as próximas pesquisas para observar o desempenho de Garotinho e ver se ele vai mesmo bagunçar o tabuleiro político do Estado.


Dez anos de inferno astral.

O inferno astral político de Garotinho se iniciou em 2016 e se prolongou até sua absolvição no último dia 27 de março. Em 2016, foi preso em investigações por compra de votos, corrupção e fraude eleitoral relacionadas ao programa social "Cheque Cidadão".   As acusações eram por associação criminosa, supressão de documentos e coação de testemunhas, frequentemente associadas à sua influência política no interior do Rio de Janeiro. Quando preso, em 2016, protagonizou um espetáculo ridículo e dantesco, quando esperneou e gritou dentro do camburão como uma criança mimada.

Em 2019, foi preso ao lado da esposa Rosinha Garotinho e, em 2021, foi condenado pela Justiça Eleitoral por crimes de associação criminosa, corrupção eleitoral, supressão de documentos e coação no curso do processo. Chegou a ser condenado a 13 anos, 9 meses e 20 dias pelo TER - Tribunal Regional Eleitoral -, que na ocasião rejeitou todos os recursos da defesa. Se silenciou, caiu no ostracismo politico e agora ressurge com força com sua metralhadora giratória a todo vapor, denunciando a tudo e a todos e muito mais que uma pedra no sapato de Eduardo Paes, se transforma em verdadeiro fantasma em seu favoritismo.


 

Garotinho e Rosinha foram presos em 2019, na operação Secretum Domus, por suposto recebimento de propina na construção de casas popularesdepois voltou a ser preso em 2019 e protagonizou uma cena ridicula e surreal a espenear dentro da viatura

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