top of page

Carmem Lucia dá xeque-mate no Cláudio-bolsonarismo e embaralha a politica do Rio de Janeiro




Após ter surpreendido a todos marcando a retomada do julgamento que pode determinar a cassação do governador Cláudio Castro (PL), de seu vice Thiago Pampolha e de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da ALERJ, para o último dia 10, a ministra Carmem Lúcia, diante do pedido de vista do ministro bolsonarista Kássio Nunes Marques, voltou a surpreender e pautou a continuidade da votação para essa terça-feira (24), com possibilidade de uma sessão extraordinária para o dia 25. O placar estava 2 a 0, contrário ao governador, com os votos da relatora Isabel Gallotti e do ministro Antônio Carlos Ferreira. Ainda faltam cinco juízes a proferirem seus votos.  Se condenado, o governador será afastado do cargo e ficará inelegível   por 8 anos.

Uma tentativa de moralizar a política do Rio de Janeiro          

No tabuleiro de xadrez e no mundo perfeito do Claudio/bolsonarismo do Estado estava tudo arranjado: o governador renunciaria o mandato logo no início de abril, se lançaria candidato ao senado nas próximas eleições, se elegeria com ajuda da máquina pública,  permanecendo desta forma com foro privilegiado, e se livrando das garras da justiça. Mais que isso: indicaria seu sucessor numa eleição indireta na ALERJ – Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Como tem maioria na Casa e uma fiel base aliada, teria o candidato indicado vencedor. Em síntese: mudaria tudo para não se mudar nada e o grupo político Claudio/bolsonarista permaneceria dando as cartas no Estado.

O que não contavam esses nobres senhores – que se acham experts na jogatina política - era com a astúcia e perspicácia da presidente do TSE, Carmem Lúcia, que percebeu tudo e, manuseando com maestria as peças, se comportou como uma verdadeira dama, não permitindo espertezas, trambiques e trapaças, derrubando as pretensões de Castro, que se achava um rei. Com a jogada da ministra, o rei e toda sua trupe ficaram nus. Num tempo de total perseguição a juízes, e a tentativa de desacreditar as instituições, a ministra não deseja que o julgamento se transforme numa suculenta pizza ou deixe transparecer que o Tribunal está se omitindo e, com isso, beneficiando o acusado.

A jogada da ministra foi um verdadeiro xeque-mate que atinge em cheio o bolsonarismo. Se confirmada a cassação, uma das principais vítimas será Rodrigo Bartcellar (União Brasil), ex-presidente da Alerj, licenciado do cargo por ligações com o ex-deputado TH Jóias, preso por pertencer ao braço político do Comando Vermelho. A sobriedade e determinação da ministra atingiu também a parte inferior do tabuleiro, onde muitos do baixo clero, composto por bispos, peões e cavalos que se achavam protegidos pelas torres do poder, perderão o emprego se a cúpula perder seus cargos.

Rodrigo Bacellar e Cláudio Castro na mira do TSE


A razão do julgamento...

Cláudio Castro é acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, quando realizou sem qualquer transparência a contratação de 27 mil funcionários temporários, no CEPERJ – Centro Estadual de Estatística, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro e na UERJ – Universidade do Rio de Janeiro. A denúncia inicial é a de que essas contratações foram feitas por indicações políticas e esses funcionários atuariam como cabos eleitorais.  O processo chegou a ser julgado em maio de 2024, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro que, por 4 votos a 3, decidiu que não ficaram comprovados abusos de poder por parte dos acusados e que eles não obtiveram qualquer tipo de vantagens no pleito de 2022.  O Ministério Público Eleitoral e a coligação “A Vida Vai Melhorar”, que apoiou Marcelo Freixo, entraram com recurso e, observando a possibilidade de o julgamento ser indefinido, a ministra Carmem Lucia resolveu agir.

Foi uma surpresa para o governador, que, ao que parece, tinha um organograma elaborado com todos os passos a serem dados. Caso o julgamento acontecesse após 4 de abril, quando iria se descompatibilizar, tudo bem, tudo resolvido para concorrer ao Senado. Porém, se algo desse errado, e o julgamento ocorresse antes de 4 de abril, a saída estaria preparada com um de seus aliados pedindo  vista de seis meses e tudo estaria resolvido. Aconteceu exatamente o previsto: o julgamento se reiniciou na última quinta, dia 10, e, como combinado, o ministro Kassio Nunes pediu vistas. Só que quando os espertos iam com o milho, Carmen Lúcia já voltava com o fubá. Aceitou o pedido de vistas por ser um direito do ministro, mas deu apenas 15 dias para que o julgamento fosse reiniciado. Desta forma, o julgamento prossegue nesta terça, dia 24. Para evitar qualquer surpresa de última hora, a ministra foi além: pediu uma sessão extra para o dia 25, para caso o julgamento não seja concluído na sessão do dia 24. Se for cassado e tiver os direitos políticos suspensos, a eleição ocorrerá de forma direta, com os eleitores do estado indo às urnas.

 

Comentários


bottom of page